setembro de 2016

A CASA GRANDE EM QUEDA: PERSPECTIVAS AFRICANAS EM PAPEL, RISCO E CONCEITO. UMA CONVERSA COM A C&

Luciane Ramos Silva

 

 

 

 

 

SENGA NENGUDI
Studio Performance with “R.S.V.P”
1976

 

 

 

 

 

Testemunhamos momentos de profundas mudanças na reflexão sobre o universo de produção de arte, suas estéticas, poéticas e estruturas de difusão.  As muralhas sólidas e antigas do chamado sistema de arte, historicamente dominado pelo binômio branco-eurocêntrico, lentamente se esfacela diante de um conjunto de realidades inexoráveis. As gentes negras, de mil tons e ascendências, aparecem gradualmente como protagonistas dessa fissura. Produzir, criticar, publicar arte – é o que está na mira.  Tal fato aponta para um esforço de descolonização de processos e estruturas, pois não basta apenas estar presente ou criticar as hegemonias, é necessário apresentar propostas. E são argumentos que longe de apenas sinalizarem para uma inversão de poderes propõem alterações de perspectivas, das formas de sentir e ser – sábia e astuta estratégia, pois como afirmou a respeitada intelectual e militante Audre Lorde (1934-1992): “As ferramentas do sinhozinho nunca irão desmantelar a casa grande”.

 

Nessas novas escritas conhecemos a Contemporary And – plataforma online e impressa focada nos saberes e fazeres das artes com perspectivas africanas. Sua produção intensa entre ensaios, entrevistas, curadorias, difusão de eventos e chamadas para congressos e residências, apresentação de artistas, produtores culturais  e diversos outros  materiais  produzidos em  inglês, francês e alemão, articula  ideias e discursos sobre as práticas artísticas de diferentes espaços do continente africano e de suas diásporas, circulando internacionalmente.

 

Lançada em 2013 a publicação/plataforma dissemina informações sobre produções de arte contemporânea fora dos perímetros do hemisfério norte.  Ao apreciar a riqueza de materiais da plataforma, percebemos o quão pouco sabemos e conectamos com os universos das artes visuais nas Áfricas e mesmo nas diásporas.  Estará o circuito das artes visuais brasileiras interessado nesses universos? As africanidades que fecundam a experiência brasileira são conteúdos que servem para o pensamento artístico elaborado pelo mainstream canônico? Artistas negras e negros de distintos discursos são bem vindos ou tolerados?  Sabemos que a negativa prevalece como resposta.

 

Os enunciados polidos e supostamente bem intencionados só revelam o quanto estamos longe de uma discussão sensata e honesta sobre os privilégios que envelopam o mundo das artes.

 

Há no Brasil sutilezas muito próprias de uma noção de convivência harmônica entre as diferenças, que, se a crítica cultural já derrubou por terra (vide as produções intelectuais de Beatriz Nascimento, Antônio Sergio Guimarães e Abdias do Nascimento, por exemplo), as lógicas paternalistas ainda insistem em sustentá-las.

 

As propostas expositivas que possibilitam a visibilidade de artistas negras e negros são, com frequência, avaliadas de maneira redutora e superficial, pautadas por questionamentos rasteiros de que tais projetos incentivam rótulos e guetos. Essa seria (ou é?) a resposta fácil dos segmentos inconformados com o escurecimento dos novos tempos e comprometidos com a velha e carcomida democracia racial brasileira. Parece até um  certo saudosismo às noções de arte primitiva em voga no século passado, fruto do conhecimento antropológico que idealizava a Europa como o ápice do processo evolutivo e colaborava para noções dicotômicas como “objetos de arte” versus “artefatos etnográficos”.

 

Curadores de museus, historiadores da arte e outros produtores de conhecimento são predominantemente orientados e alinhados com o hemisfério norte. Entender o sistema de arte no Ocidente implica percebê-lo como sistema de dominação.

 

Mesmo que no imaginário brasileiro colonizado e no conjunto de produções valorizadas e visibilizadas pelo mercado de arte o elemento negro plural esteja ausente, há um volume vivo de produções que já não podem mais serem silenciado. As 106 obras apresentadas na exposição Territórios: Artistas afrodescendentes no Acervo da Pinacoteca mostra isso. Os subalternizados falam, desenham, pintam, fotografam… Criam criticamente.

 

A circulação de ideias, a formação de jovens intelectuais artistas e acadêmicos, além da contínua e ativa presença de militantes dos diversos movimentos têm mundialmente trazido à tona os dilemas que acometem a produção de conhecimento nos circuitos legitimados de poder assim como as maneiras possíveis de se mover dentro dele, arredondando formatos e ampliando a paleta de cores. Esse movimento quebra a cultura do silêncio que atravessou por muito tempo o mundo das artes visuais.

 

E se a arte afeta os símbolos através dos quais as pessoas se mostram ao mundo, devemos pluralizar as linguagens e os sensos de presença para que possamos de fato nos reconhecer na diversidade. Uma nação que não sabe quem é , que  vive à sombra e à revelia de modelos colonizados, está fadada ao fracasso.

 

Propostas como a da Contemporary And não constituem-se apenas em materiais que preenchem  lacunas, mas sim fomento e fermento para espaços de criatividade. É possível investir na multiplicidade e não sucumbir ao confinamento da história única.

 

Yvette Mutumba, Aisha Diallo e Julia Grosse, editoras da Contemporary And.

 

 

 

Nossa entrevistada, Julia Grosse, historiadora da Arte nascida e baseada na Alemanha, co-fundadora da Contemporary And  tem perspectivas muito positivas em relação às mudanças desse cenário – prognósticos um tanto diferentes da realidade brasileira – ainda marcada  por  contornos tacanhos.  Porém,  não há mais como disciplinar corpos conscientes dos espaços dignos a que têm direito.

 

Trata-se de restituir a fala e decentralizar o mundo das ideias para além da Europa e seus braços bem sucedidos. Trata-se ainda de questionar as bases estéticas que informam nossa produção de arte. Falar de perspectivas africanas significa abrir um extenso corpo de ideias, conceitos e sentidos que renovam nossa experiência e ampliam nossas possibilidades de Ser.

 

 

 

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O MENELICK 2° ATO: QUAL A PRIMEIRA IDEIA AO CONCRETIZAR O PROJETO DA CONTEMPORARY AND?
CONTEMPORARY AND: Viajando bastante por diferentes países e cidades africanas nós percebemos que havia uma produção muito rica e que havia muita coisa acontecendo ao redor de todos esses artistas das novas gerações. Nós pensamos em criar essa plataforma para conectar essas riquezas. Trazendo todas essas diferentes perspectivas na África e nas diásporas.  Uma plataforma/revista que pudesse criar grandes conexões. Às vezes conhecemos uma artista em Acra e de repente ela não conhece um performer do Cairo. Por que eles deveriam saber uns dos outros? Às vezes as pessoas do mainstream da arte chamam-nos “artistas africanos”.  O que um pintor de Nairobi tem a ver com um de Acra? Eles têm diferentes ideias estéticas, diferentes backgrounds e biografias e ainda assim as pessoas dos cânones chamam-nos de “arte africana”, isto é algo que devemos superar.  Então tivemos a ideia de fazer essa plataforma com perspectivas africanas.  É claro que há essa tendência ou sensibilidade para uma perspectiva africana num sentido mais amplo, espaços que guardam referências, determinadas relações e temas comuns relacionados às cidades africanas.

 

 

OM2°ATO: PARECE QUE HÁ NA PUBLICAÇÃO UMA PREOCUPAÇÃO EM MOSTRAR ALGUMAS REALIDADES QUE FREQUENTEMENTE ESTÃO FORA DO ESQUEMA NORMATIVO DAS ARTES. AO MESMO TEMPO VOCÊS FAZEM CONEXÕES ENTRE ARTISTAS DE ÁFRICA E DA DIÁSPORA.  QUAL O PÚBLICO DA REVISTA?
C&: Olhando para os dados brutos de quem está lendo C& vemos que são pessoas que não estão apenas em Londres e Paris, por exemplo. Muitos são de Lagos, Nairobi, Durban, Cape Town, Dakar e muitas outras cidades africanas – o que para nós é importante porque não produzimos conteúdos para os contextos europeus de produção de arte e liderança ou para leitores interessados em uma arte exótica africana, mas nós realmente desejamos artistas que vivam em Acra ou Nairobi assim como em Londres, Paris ou São Paulo. Queremos saber de protagonismos oriundos do Brasil também.  Realmente a ideia de uma perspectiva africana parece alcançar as pessoas. Estamos abordando esses artistas de diversos lugares porque de fato eles estão em vários lugares.

 

 

OM2°ATO: SABEMOS QUE HÁ UMA CONDIÇÃO DIASPÓRICA QUE LIGA AS EXPERIÊNCIAS DE PESSOAS DE ASCENDÊNCIA AFRICANA, PORÉM HÁ ESPECIFICIDADES EM CADA TERRITÓRIO. ENTRE AS DIVERSAS DISCUSSÕES PROVOCADAS PELA EXIBIÇÃO DA PINACOTECA UMA REFERIU-SE À NOMENCLATURA “AFRODESCENDENTE”. COMO É ESSA DISCUSSÃO NA EUROPA E PRINCIPALMENTE NA ALEMANHA, LOCAL ONDE VOCÊS NASCERAM E QUE SABEMOS HÁ NUMEROSOS CIDADÃOS E CIDADÃS ALEMÃS NEGRAS.
C&: Há muito trabalho a realizar. Há situações em que uma pessoa negra é completamente alemã, mas os alemães parecem não aceitar. Você pode falar propriamente a língua alemã, sem nenhum sotaque, mas não aceitam. Passamos situações como “Ah, você é alemã? mas de onde você é? Respondemos “sou de Colônia” (ou outro lugar) e o interlocutor simplesmente não aceita o fato de você ser alemã e negra. Eles tentam investigar sua genealogia. Por exemplo, se minha bisavó veio de um país africano irão dizer,” ah… ela é de Gana!”. Oras, posso ter uma bisavó nascida em Gana mas  nunca ter ido para lá  e tampouco falar uma língua de lá, enfim. Na Alemanha, na França e todos os espaços com histórias coloniais ainda ha um longo caminho a percorrer. Se houvesse uma exibição como esta da Pinacoteca na Alemanha não sei como seria a recepção porque  mesmo havendo artistas negros na Alemanha eles ainda não confrontam  ou chegam a situações de tensão com a cena de a cena de artes alemã. A noção do “nativo africano” ainda é muito presente na Alemanha e em alguns lugares da Europa.

 

 

OM2°ATO: PARECE TAMBÉM QUE HÁ UMA RESISTÊNCIA PARA QUE ESSES ESPAÇOS EUROPEUS, E ISSO SE VERIFICA AQUI NO BRASIL TAMBEM, RECONHEÇAM QUE OS POVOS AFRICANOS E SUAS DIÁSPORAS PARTICIPAM ATIVAMENTE DO MUNDO CONTEMPORÂNEO E SUAS PRÁTICAS ARTÍSTICAS ESTÃO CONECTADAS COM ESSA GLOBALIDADE.
C&: Sim, somos historiadoras da arte, financiadas  por instituições alemãs, temos uma socialização alemã…mas ainda é algo muito novo. Temos por exemplo a Grada Kilomba(2), alguns temas estão sendo tratados  nas universidades  e tal… mas é ainda algo novo para a sociedade. Vamos dar uns dez anos e provavelmente as pessoas serão vistas nas ruas apenas como alemãs.

 

 

OM2°ATO: A EXIBIÇÃO DA PINACOTECA TRAZ APENAS DUAS ARTISTAS MULHERES – O QUE É RETRATO DE UM QUADRO MAIS AMPLO DO APAGAMENTO DA MULHER DAS ESFERAS PUBLICAS. COMO É ISSO NO CONTEXTO EM QUE VOCES ATUAM E NA SUA TRAJETÓRIA COMO HISTORIADORA DA ARTE?
C&: Minha tese de mestrado foi sobre a Kara Walker observando as possibilidades de leitura do seu trabalho – do estereótipo ao empoderamento. Eu gosto da maneira singular  e sistemática  que ela lida com o racismo.  Eu comecei meu doutorado abordando a obra da Adrian Piper, uma grande artista americana minimalista e acadêmica. Ela ganhou o Leão de Ouro na 56ª. Bienal de Veneza no ano passado – o maior prêmio do evento. Por muito tempo as pessoas pensavam que ela era um artista branco, um homem britânico e não uma artista afro americana –  justamente porque o nome confundia e ninguém creditava aquela qualidade de trabalho a uma mulher.  Em termos de presença feminina há muitas. É um território desafiador.

 

 

LEBOHANG KGANGUE
The Alarm
2013

 

 

 

OM2°ATO: E COMO VOCÊS TEM SIDO PERCEBIDAS PELO MUNDO BRANCO/NORMATIVO/PRIVILEGIADO DAS ARTES?
C&: Realmente é curioso. Muitas vezes as pessoas brancas do mundo da arte ocidental perguntam por que ainda precisamos de uma revista com perspectivas africanas. Perguntam se  isso ainda é possível ou necessário e nós respondemos que sim, que  ainda é necessário.  Ainda há um longo caminho mesmo que hoje a situação seja muito melhor que antes.  É uma questão de longo prazo.  Idealmente talvez daqui uns 10 anos não precisaremos mais, mas neste  momento é importante dar visibilidade a esses artistas que provavelmente não teriam oportunidades em grandes galerias como a Tate Modern, por exemplo. De outra forma esses artistas nunca seriam conhecidos.

 

 

OM2°ATO: RECENTEMENTE DISCUTÍAMOS SOBRE A AUSÊNCIA DE GALERIAS DE ARTE FOCADAS EM ARTISTAS, ESTÉTICAS E POÉTICAS  NEGRAS NAS CIDADES BRASILEIRAS. COMO ESTÁ ESSA SITUAÇÃO NOS CONTEXTOS EM QUE VOCÊS ATUAM?
C&: De fato há algumas galerias. Na África claro, há muitas. Na África do Sul, por exemplo, há grandes galerias e programas, mas muitas  só com artistas brancos –  mesmo lá isso é uma questão. Na Europa há galerias que historicamente são focadas em artistas negros como a October Gallery, em Londres, que foi a primeira a convidar o El Anatsuy; Nos Estados Unidos há a Jack Shainman em Nova York, que costuma hospedar grandes nomes como Kara Walker. Há ainda a Victoria Miro e a 1:54 , ambas  em Londres. Entre muitas outras. Sim, o cenário está mudando. Há trinta anos as galerias eram um tanto old fashion e focavam essas coleções em perspectivas de arte histórica ou ainda como “arte, artesanato e objeto” e não realmente como arte contemporânea.  Há galerias dirigidas por pessoas bancas que se esforçam em mostrar a “arte africana”. Nossa recente experiência no The Armory Show como curadoras foi muito interessante, pois intencionalmente convidamos pessoas de cidades africanas e a maioria de galerias negras –  o que para nós é extremamente importante. Há diversas galerias brancas interessadas em arte negra. Mas os representantes dessas galerias são predominantemente brancos  – a ideia é realmente nos libertar e superar esses poderes. Liberar desse olhar branco que decide o que é importante.

 

 

OM2°ATO: HÁ OUTROS ENFOQUES ALÉM DAS ARTES VISUAIS?
C&: Nós estamos interessadas em todas as formas de arte, mas o foco está nas artes visuais.  Às vezes incluímos festivais de dança, por exemplo,  mas somos historiadoras da arte e esse é o lugar de onde viemos. É um campo tão amplo para trazer luz que nos sentimos mais confortáveis assim.

 

 

OM2°ATO: A CONEXÃO ARTE E POLÍTICA SE DÁ DE DIVERSAS MANEIRAS?
C&: Talvez uma parte da expectativa do Ocidente seja que todos os artistas negros trabalhem com o tema da identidade, da pobreza, da corrupção ou outros tópicos difíceis. Esperam ainda que esses artistas abordem sua própria “identidade negra”. Claro que há  muitos trabalhos com tópicos como migração, por exemplo…  Mas abordam também aspectos diversos como bauhauss /arquitetura. Ninguém precisa sentir-se forçado a trabalhar com arte política. Isso é muito bom para ensinar as pessoas a mudarem seus olhares, suas expectativas e as imagens em suas cabeças.

 

 

EDSON CHAGAS
Tipo Passe
2014

 

 

 

 

OM2°ATO: ESTAMOS FALANDO BASTANTE SOBRE AQUELES QUE CONCEBEM A OBRA ARTÍSTICA, MAS HÁ UM PASSO QUE É O DA FORMAÇÃO DE CRÍTICA ESPECIALIZADA.
C&: É interessante porque estamos numa revista de arte e idealmente precisamos de críticos, de críticos negros, e mesmo que possa haver exceções, se temos uma exibição em Acra ou Lagos não é um especialista britânico branco que queremos. Estamos interessadas em especialistas locais. Lagos, por exemplo, é uma cidade que tem alguns  desses especialistas se  comparada com outras cidades. Talvez dois ou três em toda cidade.  Temos desenvolvido workshops onde convidamos jovens jornalistas interessados em arte, sem impor uma ideia europeia sobre arte – esta é nossa forma, quase  egoísta, de  obter mais críticos de arte negros . São poucos, mas há. Se produzimos trabalhos precisamos expô-los a todos os olhares e não apenas ao ponto de vista europeu.

 

OM2°ATO: QUEM FAZ REVISTA?
C&: O time central é pequeno. Somos quatro mulheres  – Eu ,  Yvette Mutumba e Aisha Diallo – alemãs com backgrounds diaspóricos – mais uma ampla rede de colaboradores em Cape Town, Cairo, Londres e outras cidades.   A ideia de diáspora está incutida na ideia da Revista.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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NOTAS DE RODAPÉ

 

1 – The Armory Show é uma das mais importantes feiras internacionais de artes que ocorre anualmente em Nova York exibindo trabalhos de artistas estabelecidos e em emergência. Apresentando galerias, curadores e projetos.

2 – Grada Kilomba é escritora, teórica e artista interdisciplinar de origem portuguesa  radicada na Alemanha.   Seus percursos abordam os temas da raça e gênero e seus cruzamentos com os traumas sociais, as memórias e os espaços pós- coloniais.

 

 

 

 

 

 

 

 

Luciane Ramos Silva

Luciane Ramos Silva é antropóloga, bailarina, mobilizadora cultural e membro do Conselho Editorial da Revista O Menelick 2º Ato. Doutoranda em Artes da Cena e mestre em antropologia pela UNICAMP. Bacharel em Ciências Sociais pela USP. Atua nas áreas de artes da cena, estudos africanos e educação.

A Revista O Menelick 2º Ato é um projeto editorial de reflexão e valorização da produção cultural e artística da diáspora negra com destaque para o Brasil.